Coronavírus: 7 perguntas sobre a doença ainda sem resposta.

Reprodução|Matheus Magenta
Da BBC News Brasil em Londres

Não há qualquer indício que de cães e gatos transmitam o novo coronavírus
Imagem| GETTY IMAGES

Quase tudo que o que sabemos hoje sobre o avanço do surto do novo coronavírus está desatualizado e incompleto.
A Organização Mundial da Saúde fala em 95.425 infectados e 3.286 mortos em 77 países e territórios, segundo os dados desta quinta-feira (5/03). Mas esses números não contam toda a história.
“Alguns números mudam porque coisas novas estão acontecendo, mas muitos números estão mudando porque estamos descobrindo coisas que já aconteceram”, resume Marc Lipsitch, professor de epidemiologia da Universidade Harvard, nos Estados Unidos.
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Para Neil Ferguson, especialista do Centro para Análise de Doenças Infecciosas do Imperial College, de Londres, o descompasso entre a confirmação de casos, o surgimento de sintomas e a piora da doença até uma eventual morte indica que o surto hoje pode ser dez vezes maior.

Mas quantas pessoas estão doentes de fato? Qual é a taxa de mortalidade? Quem se recupera do vírus uma vez está livre da doença? Há risco para mulheres grávidas e crianças?
A BBC News Brasil reuniu as mais importantes dúvidas sem resposta acerca do surto, e os esforços que especialistas e autoridades têm feito com dados e inferências para tentar respondê-las com o maior grau de certeza possível.

  1. Afinal, qual é a taxa de mortalidade do novo coronavírus?
    Estima-se hoje que essa taxa gire em torno de 2%, mas esse número tem variado bastante desde o início do surto na cidade chinesa de Wuhan, em dezembro.
    Em tese, o cálculo do que tem se chamado popularmente de taxa de mortalidade do novo coronavírus é relativamente simples. Escolhe-se uma data, identifica-se quantas pessoas ficam infectadas, quantas morrem e aplica-se uma regra de três.
    Mas os cálculos feitos para calcular quão espalhada ou letal está uma doença podem envolver muitos outros elementos, como o período de um ano, um espaço geográfico determinado e a taxa de mortes por mil habitantes, algo que não tem sido feito atualmente.
    Pode ser mais fácil calcular isso quando um surto já acabou, mas é muito complexo em meio ao avanço da doença. Mas por quê?
    A principal lacuna é o número real de infectados. Nem todo mundo que contrai o vírus apresenta sintomas, como tosse seca, febre e falta de ar. E ele pode ser transmitido mesmo que esses sinais não apareçam no período de incubação (de um a 14 dias).

Atualmente, o número oficial de infectados é 93.160 e o de mortos, 3.198. Se a taxa de mortalidade como se tem falado fosse calculada a partir desses números, poderíamos dizer que ela mata 3,4 pessoas a cada cem infectadas, conforme divulgou a Organização Mundial da Saúde.
Mas isso seria impreciso porque estaríamos nos baseando apenas no que os especialistas chamam de “ponta do iceberg”. Esse cenário ignora dois grandes pontos: o total de pessoas infectadas assintomáticas ou nem tão doentes a ponto de irem para o hospital (o que diminuiria a taxa de mortalidade) e o total de mortes que ainda está por acontecer (o que elevaria a taxa de mortalidade).
Para se ter uma ideia da dimensão do número de casos que passam abaixo do radar, Christl Donnelly, professora de epidemiologia do Imperial College, cruzou dados de pessoas doentes com o número de voos para estimar que dois terços dos casos “exportados” por Wuhan não foram detectados ou monitorados pelas autoridades estrangeiras.
Ferguson, também do Imperial College, explica que o surto tem dobrado de tamanho a cada cinco dias e que leva 20 dias entre o surgimento de sintomas e uma eventual morte.
Ou seja, “as mortes que vemos hoje correspondem ao estado de epidemia de 20 dias atrás em cada um desses países. Isso quer dizer que a epidemia deveria ser 10 vezes menor 20 dias atrás, e então você multiplica isso por um fator de cem, no caso das mortes, e você tem um multiplicador por mil”.

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